RECEPÇÃO

sábado, 6 de março de 2010

Valor

- Então, você me ama? - Ele perguntou com um sorriso satisfeito. Ele ia fazer ela engolir o orgulho dela e dizer, como se já não bastasse tudo que ela já tinha feito.
- É. Amo. Infelizmente.- Ela disse, pausamente, com uma cara de desgosto por si mesma. Ela não deveria amá-lo. - Satisfeito agora?
- Muito. - Ele respondeu, mas dessa vez sem aquele sorriso. Estranhamente, estava inexpressivo, e antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, ela se apressou:
- Ótimo. Agora, vou embora e me arrepender disso pra sempre. Tchau.
E dizendo isso, ela se virou lentamente, e tentou caminhar normalmente, por mais que sua vontade fosse correr e se esconder em algum lugar por um longo tempo, mas foi interrompida:
- Espera. - Ele sentenciou.
- O quê? - Disse ela sem se virar, estava chorando de raiva e não queria que ele a visse chorando, aquilo ia destruir de uma vez o seu orgulho.
- Você acha que eu ia fazer você confessar isso sem fazer nada? - A voz dele era como a expressão de cinco minutos atrás: uma incógnita.
- Acho. Afinal, que valor isso tem pra você?
- Você nem imagina. - Nisso, a puxou pelo braço e a beijou apaixonadamente. E depois, que a estava envolvendo em seus braços e sentindo suas lágrimas, sussurrou em seu ouvido: Eu também te amo.

E lá ficaram os dois, abraçados e em silêncio por um longo tempo. A menina ainda chorava, chorava de paixão, sossego, medo, dor, e a cada lágrima que ele podia sentir caindo, a abraçava ainda mais forte.
Quando finalmente ela se acalmou, olhou fundo nos olhos dele e desejou internamente, que aquele momento nunca fosse perdido, e mal ela sabia que ele desejara o mesmo...

- J.

Deserto

Ela se sentou sob a areia quente do deserto e ali ficou um bom tempo. Olhava as dunas sempre iguais, mas sabia que foram feitas pelo vento. Olhava o sol intenso, deixando os grãos dourados e sentia sua pele queimar, mas ela continuava olhando fixamente para as areias do deserto.
Era como se elas estivessem tentando dizer algo, algo que ela precisava saber. Depois de mais algumas horas conversando silenciosamente com aqueles grãos quentes e serenos, ela entendeu. Se levantou tranquilamente, e foi embora, foi embora para mudar tudo o que precisava ser mudado, ela podia fazer isso por si, as dunas sempre dependeriam do vento para se tornarem qualquer outra coisa.

Mas ela não era um grão de areia.

- J.

Consciência

Tarde da noite.
Ela precisa falar com alguém, precisa se lamentar sobre algo, qualquer coisa, para não confessar a verdade. Vai ao banheiro, e se encara no espelho, quando de repente, alguém pergunta:
- Olá. Faz tempo que não falo com você.
Ela se assusta com a voz, já que estava sozinha em casa, volta se olhar no espelho, e vê que do outro lado, ela mesma está sorrindo, embora não esteja ao mesmo tempo.
- Não se assuste, você só está falando consigo mesma.
Ainda assustada, a garota demorou a responder:
- Mas como isso é possível? Quero dizer, você não deveria falar comigo, não por um espelho. Se você é a minha Consciência, deveria aparecer só na minha mente.
- Tem razão, mas tenho que recorrer a outros meios quando você nem presta mais atenção no que pensa.
A menina estava começando a ter medo. Claro que ela prestava atenção no que fazia, ou não? Em meio as suas dúvidas, foi interrompida pela sua terapeuta instantânea:
- Vamos, confesse.
- Confessar o quê?
- Você sabe.
- Não, não sei.
Do outro lado do espelho, a Consciência começou a ficar impaciente. Respirou fundo algumas vezes antes de recomeçar:
- Pare de mentir pra você mesma e confesse. Confesse que você o ama, não aguento mais ouvir seus lamentos inúteis, você o ama o pronto! Aceite que você não tem controle sobre isso.
- Não é verdade... Eu não posso amá-lo.
- Mas ama, e pronto. Pare de teimosia, isso nunca te levou a lugar algum e nem nunca vai levar.

- Consciência

Lady Antebellum


it's a quarter after one, i'm a little drunk and i need you now

- J.

Shakira


cause i'm a gypsy, i might steal your clothes and wear them if they fit me

- J.

Taio Cruz


ps: se gostarem, procurem por 'dirty picture' dele com a ke$ha *-*

- J.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Inverno

Aqueles dias de inverno, traziam lembranças. O vento frio e cortante trazia consigo doces melodias, memórias de um beijo. Enquanto a brisa gélida sussurrava nos ouvidos dela aquelas palavras banais ditas por um alguém. Um alguém que nesses dias frios, revivia em seu interior. Esses dias conseguiam dizer tantas coisas... Traziam as poesias em formatos de palavras, a sensação cálida de conforto de um abraço, como também a música que se tornou a melodia perfeita.

Mas os dias de inverno conseguem ser mais do que somente melodias e memórias de um sonho. São dias frios, tristes e sem vida, que trazem brisas sufocantes, como se estivesse gritando de agonia. Dias que o vento consegue trazer lágrimas e o céu traduz o sofrimento.

- J.