RECEPÇÃO

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Estranhos

O homem ia todos os dias ao parque, durante a noite. A mulher que morava naquele apartamento em frente ao parque, de sua janela, sempre o acompanhava com o olhar, sem entender direito o que ele ia fazer no parque aquela hora.
Um dia, decidiu ir atrás dele, sua curiosidade chegara ao ápice. Saiu naquela noite fria de inverno, mas nem se importou com o que acontecia a sua volta, sentia que precisava seguir o homem, ver o que ele ia fazer no parque todas as noites. Ela caminhou perdidamente pelo parque, quando o viu sentado no banco em frente ao lago, e naquele instante, percebeu o porque estava tão curiosa.
Ela sabia que já o havia visto em algum lugar, claro, ela o conhecia. Era aquele cujo ela quis esquecer o nome, os momentos, tudo que havia acontecido entre eles.
Sentado no banco, olhando fixamente para o lago, com a lua refletida nele, lá estava o homem. Depois do choque da mulher em perceber quem ele realmente era, ela decidiu sentar-se ao seu lado. Quando o fez, ele não olhou para ela, continuava olhando o lago, a lua, a paisagem.
- Oi. - Ela disse.
- Oi... - Ele respondeu
Insatisfeita por não ser notada devidamente como queria, a mulher se mostrou impaciente e continuou:
- Por que você vem aqui todas as noites?
- Como você sabe que venho aqui todas os noites? - Perguntou o homem, assustado, mas sem mudar a direção do olhar.
- Tenho o costume de olhar pela janela as vezes, e sempre o vejo vindo ao parque a essa hora...
- Que hábito curioso. - Ele suspirou, e depois continuou, com uma voz calma, mas triste - Venho aqui porque esse lugar me lembra alguém.
- Por que esse lugar te lembra tal pessoa? - Se não fosse pela escuridão da noite, seria possível notar o desânimo repentino em seu rosto.
- Não sei. A calmaria daqui a noite, a beleza da lua refletida nesse lago tão silencioso e profundo, me fazem lembrar dela.
- Dela quem?
- Isso não importa mais. Eu a perdi, agora só tenho meras lembranças, como essa paisagem. - De repente, o homem se levantou com os punhos cerrados, e antes que a mulher pudesse dizer alguma coisa, ele continuou - Antes de cometer um erro, procure saber se tem conserto. Cuide daquilo que você ama, faça isso por mim. - E foi embora.

- J.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Esclarecimento

Beleza não é essência. Fama não é caráter. Amor não é promessa. Amigos não são números. Simpatia não é mentira. Sonhos não são ilusões. Realidade não é pessimismo. Atitude não é baixaria. Amizade não é falsidade. Beijos não são contratos. Dinheiro não é saúde. Felicidade não é dinheiro. Fracasso não é derrota. Coragem não é violência. Vidas não são números. Opiniões não são certezas. Idade não é documento.

- J.

Morandi ft. Helene


come on and save me, i'm loosing my mind. waiting and waiting for you to be mine.

- J.

Vírgula

Depois daquela minha história fracassada, eu decidi começar outra. Peguei aquele diário velho e perdido no meio das minhas coisas e comecei a escrever. Como não sabia como começar, peguei aquele final inacabado da minha antiga narrativa e comecei a partir dele.
Conforme eu ia escrevendo, eu fui percebendo que acrescentava detalhes à antiga história, ao invés de criar uma nova; algo estava errado, profundamente errado. Eu colocava pontos e depois apagava. Tentava começar um outro parágrafo, mas o lápis não saía do papel. Eu me forçava a por um ponto final no lugar que eu queria por uma vírgula.
Aquela história doentia e depressiva não podia continuar, mas eu insistia em colocar aquela maldita vírgula...

- J.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Orgulho

- Eu prometi. Eu não vou começar isso de novo.

- Mas é o que você quer... Está escrito em seus olhos.

- Não importa, eu enterro isso em algum lugar, não vou quebrar a minha promessa.

- Porque você não cede ao que você deseja? Te faria bem...

- Esse é o ponto, eu não sei se vai me fazer bem, mas algo me diz que não fará. Ou seja, eu não vou arriscar, mesmo porque eu não quero machucar pessoas de novo.

- Isso tudo é orgulho?

- Orgulho, confusão, tristeza, e mais um monte de coisas que eu não sei descrever.

- J.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Chance

Quantas pessoas não desejam disso? Uma chance para qualquer coisa.
Antes de virar a cara graças ao estereótipo, dê uma chance. Se foi perda de tempo, é só deixar pra lá, é simples. Você já deu uma chance à alguém ou à qualquer coisa hoje?

- J.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Estranhos

Eu sou bem estranha, reconheço. Tenho minhas manias, minhas esquisitices, sou vista por muitos como uma pessoa estranha, mas eu não me importo muito, preferi ser estranha a ser alguém comum ou 'normal', eu escolhi ser assim, então, não tenho moral nenhuma para reclamar. Eu SOU assim, não adiantaria tentar mudar isso.
Mas há algumas semanas, assisti uma entrevista da Lady Gaga no programa da Oprah, e o que ela disse, estranhamente me tocou. Conhecemos a Gaga pelo seu jeito exótico, ousado e diferente, e graças a esse jeito ela já recebeu vários apelidos: louca, esquisita, estranha, anormal... Eu mesma já havia chamado ela assim, afinal, não estávamos acostumados ao seu jeito irreverente, de vestir, cantar, ser; mas depois dessa entrevista, eu finalmente compreendi porque tenho tanta admiração por ela.

A partir do minuto 6:00 ela diz o que ela quer transmitir com o jeito dela, e não sei... O que ela disse sobre se orgulhar de si mesmo, pegar o que cada um detesta sobre si e celebrar isso, é uma forma que me emocionou estranhamente, porque afinal, ninguém celebra o que não gosta, mas acho que isso é só mais uma forma de dizer como ser livre é a melhor opção, como ser você mesmo é importante e nunca desistir, nunca deixar de acreditar em você. E realmente, é isso que realmente importa. Todos temos sonhos, desejos, vontades que queremos alcançar, mas a melhor forma de conseguir isso, é deixar rolar, sendo nós mesmos, não importando se somos normais, estranhos, ou qualquer outra coisa.

- J.