RECEPÇÃO

domingo, 6 de dezembro de 2009

Carta

Eram dez da noite quando ele decidiu o que iria fazer. Tinha que ir embora, mas não podia dar as devidas explicações de tal decisão à ela... Mas sentiu-se na obrigação de pelo menos se despedir, porém a falta de forças pra suportar um adeus pessoal o fez escrever uma carta.

Sentou-se em frente ao seu computador e ficou lá. Por mais que ele tivesse tanto a dizer, não conseguia escrever nada, só ficou lá olhando aquela tela em branco, com os dedos no teclado, pensando e pensando, por onde devia começar. "Ok, é só uma carta, vamos, comece." dizia à si mesmo o tempo todo, e digitou a data, depois uma saudação... Logo começou a escrever possíveis desculpas e contornos pra não dar uma explicação concreta do porquê ele iria embora, porque não podia fazê-lo.

Ficou sentado lá por horas e por fim escreveu uma carta de relativas quatro páginas, com explicações e explicações e pedidos de desculpa, acompanhado de promessas e mais pedidos de desculpas... Leu, releu, releu de novo, e decidiu apagar tudo aquilo. Não estava bom, não era suficiente.

Ele ficou na frente daquela tela brilhante por mais algumas horas, pensando no que escrever à ela. Quando percebeu, já estava quase amanhecendo e percebeu que precisava fazer isso com pressa, não teria outra oportunidade. Então, lembrou de tudo que sentiria falta, dos abraços dela, das conversas, dos sorrisos, dos beijos... E no fim, escreveu: "Eu te amo, me perdoe, mas não me esqueça." Assinou, imprimiu, e ao raiar do sol, deixou em baixo de sua porta e partiu.

- J.

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