E ele olhava para aquele teatro mais que nostálgico. Olhava as marcações no palco, tão antigas, tão cheias de histórias para contar. Ah, o que aquelas cortinas diriam se pudessem falar? Contariam sobre as peças. Sobre os atores. Sobre falas marcantes e outros erros de atuação, erros que entre as coxias, eram momentos hilariantes...
Não entendia como puderam abandonar aquele teatro. Aquela casa tão cheia de magia e sensações reconfortantes. Começou a lembrar-se de cada nervoso sentido atrás das cortinas minutos antes da estréia. De cada personagem já interpretado. E os aplausos? Alguns não foram tão saudosos, mas ao olhar para os demais atores e ver aquele brilho de conquista, o que importava não eram os aplausos e sim poder agradecer, de mãos dadas, com os demais atores e atrizes, que na verdade, eram amigos, amigos inesquecíveis.
Mas agora, nada disso importava mais. Abandonaram aquela casa. A poeira acumulada dava um tom cinza ao que antes era repleto de cores. As rachaduras, ignoradas, agora indicavam o desmoronamento.
Ele estava sentado na primeira fileira, com um único holofote aceso, revivendo suas memórias.
O único feixe de luz que iluminava o palco fora apagado. Provavelmente a luz havia queimado. Mas ele continuou lá, no escuro, revivendo suas memórias.
- J.

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