RECEPÇÃO

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Aroma

Era uma tarde particularmente fria e nublada naquela cidade do litoral. Ele estava caminhando pela calçada, próxima a praia, com seu jornal debaixo dos braços, como costumava fazer sempre naquele fim de tarde, mas dessa vez, com um passo um pouco apressado, fazia um frio com o qual não estava acostumado. No entanto, no meio de sua pressa, esquivou seu olhar para o mar, para admirá-lo, quando notou uma presença familiar. Uma mulher.
Parou e de longe ficou admirando-a. Decidiu aproximar-se, sem que ela percebesse, e se pôs a analisar aqueles longos cabelos cacheados, cujo tom era um castanho avermelhado. Olhava mais para as costas da mulher, sem qualquer resquício de volúpia, só curiosidade. Ela era muito familiar e mesmo sem vislumbrar seu rosto, ouvir sua voz, ou qualquer outro dado mais específico, estaria disposto a apostar alto que já a conhecia.
Foi quando começou a ventar. Ventos fortes, pesados, incomuns às brisas naturais daquela praia. Tal ventania fez voar o jornal do homem, assim como os longos fios da mulher. Nesse momento, o ar adquiriu um aroma doce, nostálgico, sombrio, apesar de tudo. Sentindo tal perfume, o homem compreendeu. Sabia quem ela era, conheceria aquela essência em qualquer lugar. Foi quando se lembrou que ela não poderia mais existir, aquele aroma morrera junto com os cabelos, as costas, a pele, tão branca e delicada...
Logo após aquele estranho comportamento dos ventos, o homem ainda olhava para onde a mulher se encontrava, mas ela já não estava mais lá. E mesmo sem tê-la tocado ou visto seu rosto, uma lágrima de saudade escorregava por suas faces, rubras de frio. Foi quando as ondas do mar se agitaram e uma monção começou a soprar; vento que se assemelhava a um sussurro, chiados que ninguém jamais poderia entender; brisas que tinham apenas um destinatário: Ele.


(leiam ouvindo, hihi .-.)

- J.

Um comentário:

freakies disse...

vc nem quer que eu chore D:
C.