RECEPÇÃO

sábado, 15 de maio de 2010

Íris

Dançaram juntos a noite inteira, no entanto, sem trocar uma palavra sequer.
A música corria, enquanto se olhavam, o qual era intenso; aquelas íris, uma de um breu indecifrável e a outra de um mel cativante estavam mergulhadas profundamentes umas nas outras, brincando entre si. Expressões sérias, atos rígidos, mas aqueles olhares, eram mais vivos que todos os demais casais dançando fervorosamente naquele salão.
De repente, não existia mais nada, só aquela ligação. Aquele silêncio, cujo significado eram poemas, músicas, promessas e sentimentos, os unia em um único mundo, mundo que através do silêncio, gritava. As melodias contidas nos negros e misteriosos olhares dela o convidavam, enquanto a sutileza dos poemas dele a inquietavam, ao mesmo tempo que acendiam um curioso reflexo em seus pares indecifráveis.
Ao final da dança, ele ainda a olhava delicadamente, mas sem correspondência. Ela fora obrigada a desviar seu olhar, sentia o brilho ávido dentro de seus olhos, que a denunciaria de imediato.
Seu orgulho agradecia tal ato, não se tornaria submisso à um par de olhos mel cativantes, jamais. Mas a vontade dela de se perder em tal abismo era tão grande...

- J.

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