Um coração partido, só mais um, em meio há vários. Mais uma dor, mais um tormento, mais um problema.
Era fácil sentir uma ferida profunda e latejante dentro de seu peito e tocar nela era quase mortal. Era visível o triste olhar naquela face, em meio a grande dúvida: E agora?A cura para tal machucado, ainda demoraria. Talvez, nunca viria, e com o tempo se tornaria uma cicatriz cômoda à ausência de tal tratamento, mas ela continuaria esperando, ela ainda tinha esperanças, havia algo que a fazia não desistir, mesmo quando isso fosse uma opção tão prática...
Ela se punha a olhar pela janela, a imensidão da noite a fazia chorar, sem motivo aparente. Mas dentro de seus olhos, era visível o motivo: aquele azul escuro sem fim, a lembrava de todo o seus problemas e do vazio que sentia, era como aquele espaço sem nada, nem estrelas. Mas ao mesmo tempo que ela chorava de tristeza, eram lágrimas de alegria. Alegria por olhar para fora, e ver que ainda tinha um mundo inteiro pra viver, um mundo inteiro de gente pra conhecer, mas o maior problema, era se reeguer daquele poço escuro e triste no qual tinha caído, e enquanto ela não o fizesse, só contemplaria o mundo em que vivia do alto da sua janela, observando cada pôr do sol e desejando estar com alguém diferente, fazendo algo diferente. Mas ela não conseguia, o poço acabou se tornando um obstáculo muito difícil, e ela até hoje tenta sair dele...E no lugar da dificuldade, instalou-se o medo. Medo de nunca conseguir o que queria, medo de fracassar uma vez mais, medo de não conseguir sair daquele buraco.
Ela passou tanto tempo perdida no poço, que começou a fazer parte dele. Se sentia oca, vazia, esperando, só esperando.
- J.
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