- Então, suponho que você esteja feliz depois do que você soube!
- Ah, eu até estou, mas é meio utópico...
- Como você sabe?
- Olha, não vamos fugir da realidade, tá? Ele não gosta de mim, o que aconteceu foi só um momento, um erro, talvez... Logo ele conserta.
- Credo, como você pôde inventar essa história na sua cabeça?
- Não inventei, é a verdade, a realidade. O que tende e provavelmente acontecerá.
- Por quê você não se dá uma chance? Isso é realmente irritante...
- Não dá pra eu me dar uma chance com uma realidade estampada na minha cara.
- Não é a realidade, é a realidade da sua cabeça e ela nunca esteve muito certa. Você dizia a mesma coisa sobre aquele outro lá, como era o nome dele...?
- Não importa. Mas com relação à esse outro, é verdade, ele nunca gostou de mim.
- O que você precisa para acreditar que ele gostava? Todo mundo te diz isso...
- Não é o que eu preciso. É o que eu precisei.
- ...
- Acho que eu só estou com medo. Da última vez que eu me dei uma chance, eu caí. É um trauma, procure entender...
- Eu entendo. Mas se você nunca mais se der uma chance, seu destino vai ser preenchido pelos seus medos. E eu consigo ler no seu rosto, que isso é o que você mais teme: ser tomada pela sua própria escuridão.
- J.
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