Existem situações em que nos sentimos rebaixados, por algo, por alguém. Uma palavra magoa, um ato machuca, um conjunto de ambos consegue formar uma cicatriz e sendo uma cicatriz, sabemos que nunca desaparecerá, só aprenderemos a viver com sua marca.
A cada vez que olharmos tal machucado, nos lembraremos daquele momento de dor, da situação ou mesmo da pessoa que o provocou e ao fazer isso, toda aquela sensação de mal estar, toda aquela mágoa, volta, mesmo que indiretamente. Pensaremos sobre o que fizemos de errado, nos castigaremos por nossos atos, mesmo que não sejam errados, pelo inferioridade que fomos submetidos de alguma forma, na maioria dos casos, pela simples vontade de agradar, vontade que não fora reconhecida.
Tudo se resume à uma relação desigual. Damos murros em ponta de faca, insistimos em algo que sabemos que nos prejudica por razões ainda desconhecidas. Mas um dia, literalmente cai a ficha, acordamos para uma realidade que estivemos relativamente cegos e começamos a pensar que há alguma coisa errada.
Chegar à tal conclusão, é doloroso, digo por mim mesma. Dói ver que nossas boas intenções não são retruibuídas, quando não, tratadas com indiferença ou repulsa. No entanto, ao mesmo tempo que isso acontece, começamos a pensar: "Se eu sinto que está errado, o que seria o certo?" e nessa busca pelo certo, encontramos uma coisa que costumamos deixar para trás em situações de inferioridade: amor próprio. É como, hm, uma caça ao tesouro. Estamos perdidos, achamos uma espécie de mapa, e a partir dele, vamos seguindo pistas, que nos ajudarão a encontrar tal preciosidade. Normalmente é um processo lento e difícil, mas quanto mais desafiador, maior será a recompensa.
- J.
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