RECEPÇÃO

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Elo

Um dia, existiram duas pessoas que viveram juntas durante toda a vida. Não estavam necessariamente casados, namorando, mas eles estavam ligados, por um elo que depois de construído, nunca conseguiu ser rompido.
Ambos nunca entenderam essa ligação, não eram totalmente perfeitos um para o outro, mas tinham uma necessidade mútua, era como se ela buscasse nele paz, e ele, buscasse nela algum tipo de conforto.
Conforme o tempo ia passando, eles cada vez mais se aproximavam. Chegaram a se relacionar, mas isso não era necessário para sentirem a presença da estranha ligação que tinham entre si, estavam constantemente se ajudando, trocavam carícias, abraços, beijos, tudo de uma forma terna e cativante aos olhos de quem observava tudo aquilo.

Mas um dia, ele morreu e deixou sua suposta alma gêmea sozinha. Já se encontravam idosos quando isso aconteceu, e ela deveria entender que uma dia isso aconteceria, mas nunca superou isso. Era difícil acordar e pensar que já não o veria mais, já não o abraçaria ou sentiria seu doce perfume. Ia ao cemitério, sempre com flores, e chorava. No entanto, seu lamento não era uma melancolia total. Eram lágrimas de felicidade e ela sabia que cada gota que deixava cair sob aquele túmulo eram de agradecimento, por todas as alegrias que ela conseguiu viver ao lado daquele que ela sempre amou.

E a noite, antes de dormir, ela sempre sentia um calor perto de seu corpo, como se existisse alguém abraçando-a e quando isso acontecia, era possível sentir um doce aroma no ambiente. E com um sorriso, ela dormia tranquila, pois sabia que ele estava lá.

- J.

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