Era um vez, uma menina que se considerava cheia de problemas, cheia de angústias, a cada dia um novo obstáculo, a cada dia um novo desafio que ela dizia não ter forças para enfrentar. E ela cogitava muitas vezes tomar todos aqueles remédios, ou procurar um estilete, ou uma faca, sem saber exatamente o que faria com tudo aquilo. Teria mesmo coragem de se matar? Ela era tão medrosa, mas quando pensava nesse seu defeito, só a fazia sentir mais desgosto por si mesma, mas ela continuava sem saber que decisão tomar.
No meio do caos, onde tudo estava escuro, ela só enxergava o fim. Que fim? Ora, o fim de tudo, o fim do sofrimento, o fim das mágoas, o fim dos problemas, o fim da vida.
Mas um dia, ela pensou que se existe um mundo escuro, deve haver alguma luz. E ela não aguentava mais viver do lado do desconhecido, ou sonhando com a escuridão eterna, porque ela gostava de viver. Apesar dos problemas, amava a vida, amava tudo de bom que ela lhe porporcinara até os dias atuais, as risadas com os amigos, as nostalgias de criança, os pais, os momentos inesquecíveis. Assim, decidiu procurar alguma luz, uma vela, que fosse, ela não podia pertencer àquele mundo horrível, ela não queria pertencer mais.
Foi quando ela enxergou que se matar nunca seria solução, nunca foi. Ela só aprisionaria sua alma na eternidade de seu sofrimento, e não resolveria nada. Pensou também em todos aqueles que estavam morrendo em um hospital e fariam tudo por uma vida, e ela, tão egoísta, querendo desperdiçar a sua fora... O mundo é um lugar complicado, mas ela não estava nele por acaso. Ninguém nasce à toa.
- J.
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