RECEPÇÃO

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Porta retrato

Naquela cômoda, existia um porta retrato, que continha uma foto de uma família aparentemente completa. Avós, primos, filhos, irmãos, netos... Uma imagem bonita de se ver; todos sorrindo para o flash da imagem que após revelada, sofreria várias cópias e seria exibida em um ilustre porta retrato, nas respectivas casas de todas as subdivisões familiares lá existentes.

Observava tal imagem, retirando a poeira que a envolvia, ao mesmo tempo em que reparava nas fotos retiradas anos depois, todas posicionadas de certa forma cronológica. Conforme minha atenção se dirigia a tais porta retratos, era fácil identificar a diferença básica existente: todas as fotos, retiradas posteriormente da primeira que havia visto, faltava alguém. E comecei a formar hipóteses que justificassem tais faltas. Um avô teria descansado para sempre? Netos cresceram e compareciam cada vez menos às reuniões familiares? Mulheres e homens novos apareciam, resultados de divórcios? Casamentos de primos, filhos, irmãos, aumentavam e diminuíam aquela família.

Mas enquanto eu observava aqueles porta retratos, as divergências entre uma foto e outra não era o que mais me incomodava. Eu estava me perguntando: e a minha foto de família? Foi quando caiu a ficha, que eu não tinha uma foto daquelas, para expor em um porta retrato...

- J.

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