Naquela cômoda, existia um porta retrato, que continha uma foto de uma família aparentemente completa. Avós, primos, filhos, irmãos, netos... Uma imagem bonita de se ver; todos sorrindo para o flash da imagem que após revelada, sofreria várias cópias e seria exibida em um ilustre porta retrato, nas respectivas casas de todas as subdivisões familiares lá existentes.
Observava tal imagem, retirando a poeira que a envolvia, ao mesmo tempo em que reparava nas fotos retiradas anos depois, todas posicionadas de certa forma cronológica. Conforme minha atenção se dirigia a tais porta retratos, era fácil identificar a diferença básica existente: todas as fotos, retiradas posteriormente da primeira que havia visto, faltava alguém. E comecei a formar hipóteses que justificassem tais faltas. Um avô teria descansado para sempre? Netos cresceram e compareciam cada vez menos às reuniões familiares? Mulheres e homens novos apareciam, resultados de divórcios? Casamentos de primos, filhos, irmãos, aumentavam e diminuíam aquela família.
Mas enquanto eu observava aqueles porta retratos, as divergências entre uma foto e outra não era o que mais me incomodava. Eu estava me perguntando: e a minha foto de família? Foi quando caiu a ficha, que eu não tinha uma foto daquelas, para expor em um porta retrato...
- J.
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