Sentada naquele banco, no meio do parque, ela estava chorando.
Procurava fazê-lo disfarçadamente, não queria chamar atenção, nunca quis; a verdade, era que nem ela sabia por quê estava chorando e não desejava que ninguém viesse perguntar um possível motivo, já que ela não tinha um. Embora estivesse sentindo um terrível aperto no peito, não considerava isso uma justificativa para seu choro, ela sentia isso sempre, porquê estaria chorando por isso dessa vez?
Enterrou sua cabeça no meio dos joelhos e tentava chorar baixinho, como se ela conseguisse tal feito... Estava agoniada demais, para tentar engolir o choro, esperar que ele passasse. Queria mais era fazer um escândalo, chorar feito um bebê, ou qualquer outra coisa que fizesse aquela dor ir embora, ela não a suportava mais.
Foi quando percebeu que estava tremendo, não ia conseguir conter as lágrimas, que jorravam sem parar, molhando todo o seu jeans até se acalmar. Quando ela percebeu uma estranha movimentação, um jogo de sombras e um calor próximo ao seu corpo. Havia alguém se sentado ali? Ela não queria ver, tinha medo de que fosse verdade, não queria que ninguém a visse naquele estado... E no meio de sesu devaneios internos, escutou uma voz lhe perguntando:
- Tá tudo bem?
Primeiro, ela fingiu que não tinha escutado. O óbvio, de que era evidente que não estava tudo bem, quase a fez ignorar a pessoa ao seu lado, mas ela priorizou a preocupação aparente que acompanhava aquela pergunta, respirou fundo, levantou a cabeça e procurou pelo dono daquela voz. Quando seus olhos inchados e vermelhos encontraram os castanhos e nervosos dele, ela foi tomada por uma estranha sensação de calma.
- Não, não está tudo bem... - Procurou responder, forçando o tom mais calmo que pudera encontrar.
- O que aconteceu?
Antes de responder à pergunta, se pôs a pensar no porquê de um estranho se importar. Mas algo dizia para confiar naquele par de olhos castanhos, que pertenciam à um rapaz que aparentava ter sua idade. E decidiu responder com uma pergunta, ainda forçando uma voz calma:
- Você já sentiu um tipo de dor, que por mais que a gente se esforçe, por mais que lutemos contra ela, ela não acaba?
- Talvez você não queira que ela acabe, ou não esteja se esforçando suficiente para isso...
De repente, sentiu seus olhos marejados de novo, a voz calma havia sumido, foi para um tom de lamento, quase uma agonia, ao passo que sentia que ele não era um estranho completo, já o havia visto em algum lugar.
- Talvez você tenha razão, eu me esforço, juro que tento, mas... Eu não queria que coubesse só a mim.
Ele a olhou com uma cara de dúvida, não compreendia muito bem o que ela quis dizer, e pediu delicadamente para ela lhe contar o que estava acontecendo, explicitamente.
Antes de começar seu drama, ela respirou fundo, ia precisar de fôlego para enfrentar tudo aquilo de novo.
- Pode parecer uma história qualquer de garota desiludida, mas quando eu decidi encarar meu coração despedaçado, já era complicado demais juntar as partes. Tudo havia se misturado em uma mar de nostalgia e lágrimas, ao qual eu dei o nome de Ilusão, porque no fundo, eu só me iludi, e esperei de uma pessoa algo que a cada dia que passava, ficava evidente que eu nunca conseguiria. É frustrante. E agora, eu estou com uma terrível agonia que eu não sei definir como esperança, medo ou tristeza. Talvez seja os três. Eu já fiz de tudo para sair desse poço, mas eu quero algum tipo de ajuda diferente...
- Ajuda diferente?
- É, queria poder te explicar como seria, mas nem eu tenho ideia...
Ambos ficaram em silêncio por algum tempo. A menina agora olhava para o vazio, preocupada com a reação do rapaz, mas ainda se perguntando de onde teria vindo tamanha preocupação a ponto de conversar com uma menina que de longe, podia-se enxergar a legenda 'problema' sobre sua cabeça. O menino, não sabia o que dizer, nem o que fazer, mas queria ajudá-la, sentia que podia fazer isso.
Decidiu abraçá-la. E dizer 'Calma, isso vai passar'.
E no meio dos braços daquele nem tão desconhecido assim, ela acreditou.
- J.
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