Precisando ler um livro, ela fora até a biblioteca a procura de um. Escolheu um cuja capa chamou sua atenção, com uma magnífica ilustração de um casal apaixonado, de mãos dadas, sentados num banco em um parque, trocando carícias, felizes. A típica imagem já esclarecia o tema do livro: amor eterno. Comum. Todos os livros que lia tratavam sobre esse assunto, eles a faziam muito mal, ao mesmo tempo em que a nutriam de sonhos que ela tinha esperanças de realizar algum dia. Mas além do casal, posto em destaque naquela capa tão bem trabalhada, algo havia chamado sua atenção insconscientemente. Atrás do banco, no meio das árvores, na área mais escura do livro, uma região sem grande importância, estava uma outra menina, que olhava os dois, inexpressiva. Foi quando ela se tocou porque havia escolhido o livro. Não era por aparentemente trazer como tema principal o amor eterno entre duas pessoas, mas sim o sofrimento de outrém, implícito nos parágrafos e capítulos. Alguém que entendia que nunca haveria lugar para ela no meio daquele casal, não havia lugar para um problema como ela no meio daquela perfeição entre aqueles dois que se amavam. Ela era só a vilã da história. Não havia lugar para ela, nunca houve.
- J.
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