RECEPÇÃO

sábado, 3 de julho de 2010

Cobiça

Ele segurava a mão dela, abraçava-a, beijava-a na testa. Dizia com fervor: "Eu te amo", e o olhar dela correspondia.
Enquanto caminhavam naquele campo repleto de vagalumes, que dançavam descontroladamente, eu os observava ao longe, com certa curiosidade, sobre o que seria aquele tal amor que ambos diziam ter um pelo outro. Entretanto, sentia-o. Era uma sensação cálida, que por mais que não me pertencesse, a respirava. Como o vento, batia no meu rosto e agitava o meu cabelo, mas não conseguia pegá-lo para mim. Tal emoção não era minha.
Fiquei um pouco confusa, talvez triste por não entender. Era algo tão bonito, tão terno, que não pude evitar a cobiça. Porém, algum tempo depois, foi como se algo tivesse me contado que por mais que aquele sentimento não me pertencesse, se eu conseguia percebê-lo, era porque eu o tinha. Só era algo adormecido.

- J.

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