RECEPÇÃO

domingo, 4 de julho de 2010

Veneno

Há alguns meses, fui mordida por algo que não sei descrever, algo parecido com uma serpente, não sei ao certo, mas que me injetou um veneno lento e doloroso. A angústia, a dor, o desespero daquele veneno fazia com que eu me perdesse a cada lágrima, a cada sensação de tristeza e por fim, acabei me perdendo por completo.
Permaneci algum tempo em um lugar frio e escuro, vivendo ilusões torturantes. E por mais que eu permanecesse sorrindo de alguma forma, me perguntava o porquê daquele veneno aparentemente insignificante ter tantos efeitos catastróficos.
Quis fingir que toda aquela substância tóxica não existia, mas enquanto tentava escondê-la, ela só se espalhava mais e transbordava do meu corpo de formas esdrúxulas.
No entanto, fui me purificando aos poucos, o que me custava um grande esforço. Fui recuperando meus sonhos e minhas esperanças aos poucos também, já conseguia ver por fim alguma luz, depois de dias, meses, presa na escuridão daquele poço envenenado em que me joguei por fraqueza, até que vi uma mão, que me puxou para fora. Talvez uma não, várias.
Acho que reencontrei a minha essência, no fim e entendi que o veneno não era real, era uma ilusão que eu mesma inventara para honrar meu orgulho. Tudo não passara de um teste.
Obrigado.

- J.

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